Fair Play
Por Diogo Costa
A partida entre Nottingham Forest e Leicester City, na terça-feira, foi marcada pelo gol do goleiro Paul Smith, do Nottingham, aos 23 segundos de jogo. O goleiro viveu uma experiência inédita em sua carreira, e futebol viveu uma bonita cena de fair play.
Tudo começou há duas semanas atrás, quando as duas equipes se enfrentavam pela segunda rodada da Copa da Liga Inlgesa. O zagueiro Clive Clark, do Leicester, sofreu uma parada cardíaca, e a partida teve de ser interrompida. No momento da interrupção, o Nottingham vencia por 1 a 0.
O jogo foi remarcado e começou 0 a 0, mas o Leicester havia comunicado ao Nottingham que deixaria a equipe marcar um gol no início da partida. O goleiro foi o escolhido, segundo o treinador da equipe, para evitar qualquer suspeitas de apostas. Mesmo com o gol tomado no início, o Leicester virou a partida e venceu por 3 a 2. Mas quem saiu vitorioso mesmo foi o espírito esportivo.
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Outro lance que chamou a atenção na semana foi a falta violenta de Coelho, do Atlético-MG, em Kerlon, do Cruzeiro, no clássico mineiro, no domingo. Os cruzeirenses venciam a partida por 4 a 3, Kerlon então fez o seu conhecido lance da "foca", ergueu a bola com os pés e a conduziu com a cabeça. No meio do caminho tinha Coelho, que entrou duro no adversário e acabou expulso. Expulsão merecida.
E a pergunta que fica é: Kerlon está ou não certo em usar tal artíficio?
Kerlon pode fazer o que quiser, e qualquer outro jogador também pode. Mas deve-se ter um limite entre e arte e circo, para o futebol não virar palhaçada (mais do que já fazem alguns para ser). Há também de se ter respeito pelo adversário. O jogador tem que jogar para o time, e não para a torcida.
Robinho pode pedalar, Kerlon pode fazer embaixadinhas com a cabeça, Edilson pode fazer embaixadinhas no meio-de-campo, Coelho e qualquer zagueiro botinudo podem bater. O futebol é democrático, qualquer um pode fazer o que quiser, mas os que passaram do limite têm que ser punidos.
Dos exmplos citados, antes que alguém dê em mim a mesma entrada que o Coelho deu no Kerlon, só o jogador cruzeirense e Robinho estão dentro do jogo. O que Edilson fez na final do Paulistão-99, contra o Palmeiras, foi tremenda falta de respeito. Um jogo ganho, que poderia ter terminado pior do que terminou.
Kerlon já fez a jogada com o time perdendo em outras ocasiões, porque não faria com o time ganhando? E faz com objetividade, buscando um pênalti (ou seja: o gol), ou expulsão do adversário, ou falta próxima à área. E ele tem que saber também o risco que corre (não escrevo com o mesmo tom "amaeçador" que Leão usou na entrevista coletiva após o jogo) e estar preparado
Coelho, tão criticado nesse texto, não deve ser execrado. Quem não faria o mesmo se estivesse no luguar dele que dê o primeiro cartão vermelho.
E depois de falar tudo isso, fica uma questão: como parar Kerlon sem cometer falta?
A resposta é primária: marcá-lo em cima. Não dar espaço. Simples.
Escrito por Equipe ARQUIBANCADA às 17h25
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